22.5.08
Depois das homenagens, do carro aberto, da festa e de toda a merecida repercussão, aí vai a última nota sobre a vitória do Bruninho Santos no Taiti (pelo menos até a próxima vitória...).
Pesquisa do amigo Gustavo Cabral Vaz, autor do imprescindível blog de banco de dados chamado
Surfe Catarinense (que não se resume às estatísticas daquele estado) revela que Bruninho é o quinto wildcard não local do pico a vencer um evento na história do WCT. Curioso é que dois deles são brasileiros: Ricardo Tatuí, que venceu na França em 1994 como alternate; e Neco, com a vitória em Huntington Beach em 1999, depois de ganhar a vaga com um terceiro nas triagens (os dois primeiros eram top 45).
Os outros convidados a vencer longe de casa foram Kelly Slater - mais uma marca histórica para o megacampeão - ao passear pelo Taiti em 2000, quando vivia um ano sabático, e (lembrança do colega Renato Alexandrino, do blog Radicais do Globo) Joel Parkinson, que ainda moleque, em 1999, venceu em Jeffrey's Bay, África do Sul.
Entre os wildcards locais, foram quatro vitória, segundo o Surfe Catarinense: Johnny Boy em Pipeline (1997), Mick Fanning em Bell's (2001), Myles Padaca em Sunset (2001) e Jamie O'brien em Pipeline (2004).
Marcadores: Bruno Santos, Surfe Catarinense, wild card
17.5.08

Um quadro para a posteridade: Bruninho no Taiti. Foto: ASP Rowland
Bruninho mandou um e-mail ao Surfe Deluxe contando a trajetória até o título. Entre outras coisas, afirmou que a prancha do Mick Fanning, que quase o atrapalhou na segunda fase, não foi deixada na sua frente de propósito. E disse que Mineiro é, hoje, o brasileiro mais completo.
"Fala, Tulio... tá uma correria só aqui, mas vamos lá. Tô amarradão.
A bateria contra o Fanning foi bem difícil, primeiro porque ele é o atual campeão; segundo, porque eu tava há 15 dias sem surfar. Por isso, eu fiquei bem nervoso e cometi varios erros. Caí em algumas ondas que eu não costumo cair mas, no final, deu tudo certo. Uma coisa importante: eu tenho certeza que, na última onda, a prancha dele ficou na minha frente sem querer. Ele tinha acabado de cair na onda da frente. Foi isso. O mais importante é que no fim deu tudo certo.
Já a bateria contra o Taj foi bem mais tranqüila. Troquei de prancha. Peguei uma um pouco maior, com a qual eu já tinha surfado duas baterias em outras fases. Então, entrei bem tranqüilo, peguei todas as ondas boas da bateria e passei com uma certa facilidade. Foi legal para ganhar confiança.
No último dia, eu só estava com uma 6,3, era a única prancha que não tinha quebrado. Aí, acabei correndo no último dia com uma 5,9 que eu peguei emprestado de um cara que eu tinha acabado de conhecer (um jornalista israelense responsável pela transmissão em hebraico do evento no site da ASP). Com ela, acabei correndo todas as baterias do último dia.
O Mineiro evoluiu muito. Na minha opinião, ele é atualmente o brasileiro mais completo. Arrebentou durante o campeonato, assim como o Léo e o Heitor. Os dois, mesmo sem avançar muito no campeonato, surfaram algumas das melhores ondas.
Sobre o tamanho do mar, com certeza eu teria preferido ondas maiores, como as das triagens. A vitória seria um pouco mais gratificantes, mas mesmo assim eu tô muito feliz, até porque eu competi em mais baterias que todo mundo.
Valeu, abração"
Marcadores: Bruno Santos, Taiti, WCT
Abaixo, os somatórios do nosso homem-tubo, Bruninho Santos, nas 12 baterias até o título:
TRIAGENS2 11.73 Williams Heiarii PYF White
1 11.83 Bruno Santos BRA Yellow 4 6.33 Jamie Sterling HAW Blue
3 8.56 Wakita Takayushi JPN
Red 1 15.40 Bruno Santos BRA White 2 15.10 Williams Heiarii PYF
Red 1 18.47 Bruno Santos BRA White 2 11.17 Stephane Koehne USA
Red 1 18.87 Bruno Santos BRA White 2 17.76 Damien Wills AUS
Red 1 18.50 Jamie OBrien HAW
White 2 17.43 Bruno Santos BRA EVENTO PRINCIPALRed 1 14.50 Taj Burrow AUS
White 2 12.73 Tom Whitaker AUS
Black 3 6.70 Bruno Santos BRA
Red 2 9.17 Mick Fanning AUS
White 1 10.00 Bruno Santos BRA
Red 2 13.00 Taj Burrow AUS
White 1 17.60 Bruno Santos BRA
Red 1 15.34 Bruno Santos BRA White 2 3.70 Tim Reyes USA
Red 1 9.83 Bruno Santos BRA White 2 9.07 Adriano de Souza BRA
Red 1 14.34 Bruno Santos BRA White 2 8.67 CJ Hobgood USA
Red 2 6.83 Manoa Drollet PYF
White 1 9.16 Bruno Santos BRA
Marcadores: Bruno Santos, Taiti, WCT
15.5.08
Em todos os tamanhos de Teahupoo, o pequeno Bruno é um gigante. Foto: ASP KirstinA aposta do blog vingou: deu Bruninho Santos na cabeça em Teahupoo. O pequeno garoto prodígio entrou na água 12 vezes, entre as triagens e o evento principal, para carimbar definitivamente seu nome no caderno dos melhores surfistas de tubo do mundo da atualidade. O título lhe dá um prestígio inédito entre brasileiros no tour: o de surfista que realmente intimida campeões mundiais nas melhores ondas do planeta.
Tava pequeno? Nenhum gringo escaldado vai levantar a voz para dizer que ele só ganhou porque, no último dia de prova, Teahupoo assustava tanto quanto Ipanema. Todos sabem que Bruninho é ainda melhor em massas d'água pesadas. Já tinha provado o talento nas bombas da triagem. Pela enésima vez.
Bruninho perdeu quando era possível perder - na final das triagens, para Jamie O'brien, e na primeira bateria do main event, quando ainda pegava o pé do tubo, depois de alguns dias de molho por conta de uma contusão.
Somou placares baixos quando seus adversários fraquejaram ainda mais: em sua primeira bateria das triagens, contra Williams Heiiarii, Jamie Sterling e Wakita Takayushi; na repescagem do evento principal, contra Mick Fanning; nas quartas, contra Mineiro; e na inesquecível final, contra Manoa Drollet.
Agora, o mais importante: alcançou somatórios superiores a 14 pontos em oito das 12 baterias que disputou - deste universo, em quatro oportunidades fez mais de 17 pontos. A intenção não é humilhar, mas a comparação é pertinente: o colega compatriota Jihad Khodr somou (isso mesmo, somou) 3,16 na primeira fase e 5,53 na respescagem, quando foi eliminado. A diferença mostra a importância das horas gastas por Bruninho na busca obsessiva do treino em tubos e, ao mesmo tempo, a necessidade preemente de Jihad, que é bom surfista em outras ondas, treinar em cenários semelhantes aos que vai encontrar no WCT. Treinar muito.
Bruninho emplacou duas notas 10. Talvez pudesse ter alcançado mais scores perfeitos se fosse um americano ou australiano com título mundial na bagagem, mas isso definitivamente é do jogo. A diferença do campeão não foram os tubos de nota máxima, e sim a espantosa quantidade de ondas superiores a 8,5 nas mais variadas condições de mar. Bruno parece ter aprendido que a regularidade faz parte do show. E é o melhor remédio contra eventuais equívocos dos juízes.
Léo Neves mostrou o seu já conhecido poder com uma nota 10, apesar da eliminação para Bruce Irons. Heitor Alves surpreendeu no primeiro ano de Taiti com um 9,77. Tiago Pires, outro estreante, também cravou um 10. E Bruninho, abençoado pela regularidade, venceu mesmo sem figurar na lista dos autores das dez maiores notas e dos dez maiores somatórios da etapa.
Adriano Mineirinho merece mais que uma nota. É, com sobras, o melhor surfista brasileiro no tour. Perdeu para Bruninho numa bateria sem vencedores. Assim como o rival, ele parece ter assimilado a importância da regularidade nas notas altas. A grande virada, contudo, Mineiro deu quando reconheceu suas deficiências em ondas exigentes como as do Taiti. Correu atrás e, este ano, mostrou uma absurda evolução. Sua posição na prancha - de costas para a onda e com a mão na borda - parece ter encaixado definitivamente. Acelerou e atrasou quando foi preciso, sempre com bastante precisão e suavidade. Seus novos truques talvez ainda não sejam considerados uma prova definitiva de avanço porque as maiores bombas de Teahupoo - as que assustam mesmo - não despontaram no horizonte. Mas, é certo, servem como um precioso indicativo.
Não falei de Slater, nem é preciso. Ele não parecia interessado no evento.
Tive um especial interesse de ver a tal bateria dos dez futuros títulos mundiais: Jordy Smith x Dane Reynolds. O CT é mesmo muito difícil para estreantes, né Jordy? O sul-africano mostrou menos intimidade com o Taiti que supostos especialistas em beach break, como Heitor Alves, e expôs ao mundo sua primeira deficiência real: o posicionamento em tubos para a direita, pelo menos em competições. Em vídeos promocionais, não adianta mostrar serviço. Dane apresentou, ao menos nesta bateria, o contrário: entubou com jeito, fez ótima escolha de ondas e mostrou disposição para subverter padrões, ao tirar um tubo para a direita na bancada de Teahupoo. Meteu o sul-africano em combinação, sem piedade: 18 a 12.
Os deuses de Teahupoo só acordaram quando viram o americano dropar a segunda para a direita. Mandaram-lhe um enorme buquê com 12 ondas da série na cabeça, bem na parte mais rasa da bancada, na zona de impacto. Água na canela. Dane vai pensar duas vezes no próximo braço para a direita que pintar naquelas águas.
Só para finalizar com uma do Bruninho: o garoto surfou as últimas baterias com uma prancha emprestada pelo jornalista israelense encarregado de transmitir o evento em hebraico. Os foguetes do Joca costumam ajudá-lo, mas ontem ele ganharia com uma tábua de passar roupa.
Marcadores: Adriano Mineirinho, Bruno Santos, Taiti, WCT
5.5.08
Bruninho passeando nas triagens com a 6'3 mágica. Foto: Steve Robertson/ASP ImagesBruninho Santos é a aposta brasileira do WCT do Taiti. Surfe Deluxe vai tentar manter contato com o nosso homem-tubo durante a competição para publicar, sempre que der, seu diário nas ondas mais pesadas do circuito mundial. Abaixo, o primeiro report do Bruninho:
"Em relação ao ferimento, tá tudo na boa. Eu me machuquei na perna no começo da semifinal das triagens e corri mais da metade da semi e a final toda com o machucado aberto. Só depois do final da bateria é que eu recebi o atendimento. Tomei uns 15 pontos, portanto a perna vai estar perfeita para o dia da competição. Eu poderia até surfar hoje, só estou evitando porque o mar está pequeno e, se eu entrar na água pode inflamar. De resto, minha perna já está ok.
O quiver é que está meio desfalcado. Vim para cá com várias pranchas animais, com um quiver que o Joca fez especialmente para cá, todas muito boas. Só que como eu cheguei um pouco antes da triagem, quebrei quase todas... Para as triagens, tava com uma 6'1 e uma 6'3, muito boas. Acabei competindo toda a triagem com a 6'3. Mágica. Para o caso de eu quebrar essas, o Trekinho vai deixar duas pranchas dele comigo - uma 6'5 e uma 6'2.
As Jocas que eu usei aqui foram as melhores pranchas que eu já usei na vida neste tipo de onda. Na véspera da competição, quebrei uma 6'7 que também estava muito boa. Com essa prancha, surfei na remada num dia que o pessoal estava fazendo tow in.
Tô bem tranquilo em relação ao WCT. Já participei de outras etapas e competi em algumas baterias contra meus dois primeiros adversários (Taj Burrow e Tom Whitaker) em ondas como Pipeline e no Chile e me saí bem. Mas não estou muito interessado contra quem eu vou surfar, só quero pegar o maior número de tubos possível e chegar o mais longe que eu puder na competição."
Marcadores: Bruno Santos, joca secco, Taiti
30.4.08
Bruno Santos perdeu o status de aposta, de promessa. O vice-campeonato na triagem de Teahupoo é, no barato, o quinto resultado de respeito do garoto. De cara, lembro de dois shows em triagens de Pipeline, um consistente quinto lugar como convidado nos tubos do WCT chileno e uma aula de tubos nas mesmas triagens de Teahupoo ano passado, em mar monstruoso.
Credenciais suficientes para o brasileiro dizer: nós temos um candidato ao título na onda mais assustadora do tour. Durante as triagens, tirou dois 10 e, na final, perdeu por pouco para Jamie O'Brien, depois de uma nota máxima do havaiano nos minutos finais.
Jamie talvez seja o único além de Slater e os irmãos Irons com domínio absoluto da moderna técnica de entubar de backside em ondas para a esquerda. Não faz mais que a obrigação: o quintal de sua casa é Pipeline. O de Bruninho é Itacoatiara. E, ainda assim, nosso homem-tubo assusta, impõe respeito. Seu mérito é ainda maior porque, nas esquerdas tubulares, ele é um goofy que ousa ameaçar o império aparentemente indestrutível dos regular.
Bruno parece ser o único candidato real do país qualificado para o pleito de Teahupoo. Voto nele.
Uma eleição, Bruninho já venceu. Na escolha do surfista ideal, feita por 20 jurados convidados pelo Surfe Deluxe, o garoto foi escolhido com sobras na categoria "melhor em tubos". Clique
aqui para ver os resultados.
Marcadores: Bruno Santos, Opinião, Taiti, Votação do surfista ideal
7.3.08
Bruninho em Pipeline, sua segunda casa

O Surfe Deluxe promoveu uma enquete com 20 apaixonados pelo esporte, entre surfistas, jornalistas, shapers e outros profissionais. A eles, coube eleger um atleta que representasse o surfista brasileiro ideal ou, na falta de um talento completo, o melhor em cada um dos 10 atributos que, reunidos, formam um campeão. São os seguintes: técnica em beach break, técnica em tubos, técnica em ondas pesadas, linha de onda, inovação, carving, coragem, disciplina/concentração, imagem positiva e apoio do mercado. O blog publica hoje o resultado da categoria "melhor em tubos". Bruno Santos saiu no spray, tranqüilo, com oito votos.
Marcadores: Bruno Santos, tubo, Votação do surfista ideal