Surfe deluxe

As imagens do diário (II): Maldivas

5.6.08






Acima, o segundo álbum de fotos do surfista, administrador e tricolor Alexandre Ratto nas Ilhas Maldivas. Confira aqui o diário de viagem dele e outras fotos.
1 e 2) na seqüência, manobra de tirar o chapéu.
3) o inesquecível caminho para alguns bangalôs do resort
4) o lado sem ondas do resort, chamado de "blue lagoon"
5 e 6) no melhor deque do mundo, ondas à vista
7) pôr-do-sol comum nas ilhas
8) a cavada que precede a rasgada de tirar o chapéu

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As imagens do diário: Maldivas

31.5.08







Acima, as imagens que acompanham as palavras do surfista amador e administrador Ratto. As fotos foram feitas pelo próprio autor do diário e pelo empresário Rodrigo de Lamare, amigo e viajante freqüente em surftrips. As legendas, de cima para baixo:
1) O deque mais cobiçado do mundo, de frente para Pasta Point
2) Fim de tarde entre amigos no paraíso, depois de um longo dia de surfe
3) Ratto na Blue Lagoon, uma bela alternativa para depois das ondas
4) Ratto de boné em Pasta
5) Rodrigo de Lamare no mesmo pico, em bela cavada

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Diário de um amador: Maldivas

30.5.08

O amigo Alexandre Ratto, surfista, tricolor e administrador, é o titular da vez no "diário de um amador". Dias atrás, ele voltou de uma daquelas surftrips de sonho, que até a mulher gosta. Foi para Maldivas pela segunda vez, com a esposa e os amigos. Confira abaixo o relato completo do Ratto e das tocas azuis daquele arquipélago.

Em 2006, eu já havia estado nas Maldivas. Naquele ano, ficamos apenas quatro dias no Dhonveli - resort onde está localizada a famosa esquerda de Pasta Point - porque o destino principal era o atol mais ao Sul das Ilhas Maldivas, onde fizemos uma boat trip de sonhos por ondas totalmente inabitadas. As Mentawais de lá! Durante 10 dias de barco, em 5 tipos de onda diferentes, cruzamos com apenas um barco... Mesmo assim, ficou a sensação de que não tínhamos curtido ao extremo, o resort e a perfeita esquerda do Pasta.

Como a onda é muito procurada, e o resort possui apenas 30 vagas para surfistas, as reservas têm de ser feitas com bastante antecedência. Coisa de um ano antes. Dito e feito. Para chegar lá, são pelo menos três vôos. O vôo foi Rio-Paris-Doha-Male, tudo pela Qatar (nota do blog: a companhia é surf friendly, não cobra taxa de prancha).

Maldivas é um país insular muçulmano. O ponto mais alto fica a apenas 3 metros do nível do mar. Reza a lenda que por isso algum dia pode desaparecer, portanto é bom curtir enquanto é tempo. São 26 atóis e cerca de 1.190 ilhas - sendo que 200 inabitadas e 90 prestes a ganhar resorts. A população é de 280.000 pessoas, das quais 80.000 vivem em Male, capital. A língua é Dhivehi, sendo que as ilhas mais ao Sul possuem seus próprios dialetos. A temperatura fica constantemente entre 26 e 30 graus Celcius. Tem muito europeu por lá, especialmente italiano. Daí o nome do pico, Pasta Point. Os melhores períodos para o surfe são entre março e maio ou entre julho e setembro.

No aeroporto de Male, é fundamental apresentar o certificado de vacinação contra febre amarela. Ao sair, do outro lado da rua, uma comitiva do Dhonveli já está à espera para levar os hóspedes ao resort. São cerca de 20 minutos de speed boat até lá. No hotel, o hóspede é direcionado a uma das 4 modalidades de acomodação do resort Chaaya Island Dhonveli: Water Bangaloos, Garden Bangaloos, Superior Rooms e Beach Bangaloos. Neste momento, você é identificado como surfista ou não surfista. Caso você não tenha feito a opção para surfe, o máximo que poderá fazer é observar a bancada quebrando.

Nós fomos recebidos pelos guias de surfe Janick, Dhara e Mike (da Atol Adventures), que nas horas vagas ainda fazem fotos de todos pegando altas ondas. São eles que ajudam a identificar as maré e as correntes, que nas Maldivas ajudam ou atrapalham o posicionamento no pico. A Atol Adventures é a empresa que controla o acesso de surfistas ao Pasta Point. É através dela que se deve fazer a reserva para surfistas.

Quando chegamos, o mar estava pequeno há quase 10 dias, mas a previsão era de swell no dia seguinte. Mas no final de tarde em que chegamos já deu um surfe de gala, com mar glass e ondas de um metrinho. Infelizmente não tivemos condições físicas de cair. No dia seguinte, às 5 da matina, e nós ainda no fuso, ouvimos o toque para a primeira barca. Barca? Sim! Além da esquerda privativa do Pasta Point, o resort disponibiliza dhonis (pequenos barcos) para levar os surfistas a outras ondas no entorno, como Sultans (direita em frente ao Pasta), Jailbreaks (direita), Honkeys (esquerda), Cokes, Chickens, etc. Nessas ondas, o crowd é grande, em função dos surfaris que rolam em North Male Atols. Mesmo assim, tem onda pra todo mundo!

Nosso primeiro surfe foi em Jails, que possui esse nome porque a onda fica de frente para um presídio desativado. Meio metro com vento não era o que esperávamos, mas deu pra dar o primeiro banho.

Fora o surfe, o resort tem várias outras atrações, como a Blue Lagoon, uma praia sem ondas que parece um cartão postal. Nela há uma bancada de coral onde é possível fazer snorkling ou mesmo mergulho de garrafa. O Dive Centre disponibiliza aulas para iniciantes e mergulhos profundos para os mais experientes. Há o Spa, em que você pode escolher entre várias modalidades de massagens. Ainda tem uma piscina muito bonita, quadra de tenis, sala de ginástica, 3 restaurantes, 2 deques de frente para o mar...

Mas, para a galera do surfe, o que vale é estar dentro d'água ou, no máximo, de frente para as ondas. Por isso, os caras construíram um super deque de frente para a onda, com serviço de bar, música ao vivo, wireless para intenet, tudo para ficar em sintonia com o mar.

Tirando o surfe em Jails, só voltamos um dia para Sultans, que inexplicavelmente não tinha a presença de nenhum surfari. Pegamos altas sem crowd. Uma onda tão longa quanto a de Pasta Point, mas para a direita! Fora isso, nos concentramos no Pasta Point.

A onda de Pasta é uma esquerda perfeita, que quebra sobre uma bancada de coral rasa, mas não tão afiada. A grande vantagem é que ela é privativa, e nunca os 30 surfistas surfam ao mesmo tempo. É normal cair com mais 4 ou 5 pessoas. Durante a viagem, em algumas ocasiões estive sozinho no line-up. Aquilo é uma máquina de ondas. A segunda sessão e o inside são as que propiciam os tubos. Não são tubos longos, mas que fazem bem à cabeça. Para quem quer afiar as manobras, a onda do Pasta é um sonho! Você vai cansar de dar batidas, snaps, cutbacks numa onda que nunca fecha.

Nesta temporada, pegamos entre meio metrão e 1,5 metro em média. Mas no índico é comum, num mar de 1 metro, quebrar uma série inesperdada de 6 pés. Isso acontece pelo intervalo grande entre as ondas. Também é comum observar cardumes de golfinhos e black tips (tubarões), mas nunca houve nas Maldivas.

Como os preços da viagem não são baratos, a idade média dos surfistas é mais avançada... É comum encontrar americanos, havaianos, australianos, ingleses, alemães e também brasileiros na faixa dos 35 anos. Não é raro ver surfistas de 45, 50 e até de 60 anos. Tinha um australiano de 62 anos mandando ver. O cara dava, mole, cinco caídas por dia no mar.

Nós também ficamos na água. Demos diversas caídas de mais de três horas de duração, e não foram poucas as vezes que apelei para massagens para dores musculares nos braços e nas costas. Durante os 10 dias de estada, rolaram altas ondas, sem nenhum dia flat. Dei uma média de 3 caídas por dia, o que somam cerca de 30 sessões de surfe, com cerca de 20 ondas em cada. Faz as contas aí para ver se deu faz a cabeça! Depois de 2 temporadas nas Maldivas, o que posso dizer é que se você é surfista e nunca foi lá, reserve dinheiro e data para uma surftrip futura.

Pasta Point é um pico para se surfar até o fim da vida, de preferência levando a família junto. Neste ano, minha esposa foi e disse que nunca viu um local tão bonito na vida. Brincávamos dizendo que se formos para o paraíso e se for igual às Maldivas, tá tudo ótimo!

Na próxima, vou levar meu filhote. Valeu galera. Boas ondas! Ratto.

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Surfe Deluxe
Blog de notícias sobre as ondas e seus personagens, escrito com palavras salgadas pelo jornalista Tulio Brandão.
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Foto de fundo: Saquarema, por Fábio Minduim / Layout: Babi Veloso
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